Mesmo com o avanço das pautas de diversidade e inclusão nos últimos anos, criadores de conteúdo com deficiência seguem enfrentando barreiras importantes no mercado publicitário. É o que revela a segunda edição da pesquisa Profissão Creator, conduzida pela agência Tambor.biz, especializada em creators focados em diversidade e inclusão.
Segundo o levantamento, 92% dos creators com deficiência não se sentem incluídos pelas marcas, enquanto 88% avaliam que o mercado publicitário ainda não é inclusivo. Os dados escancaram o abismo entre o discurso e a prática quando o assunto é representatividade nas campanhas.
Invisibilidade crescente
Apesar de representarem 8,9% da população brasileira com dois anos ou mais, de acordo com o IBGE (2022), a presença de pessoas com deficiência nas redes sociais das marcas caiu drasticamente nos últimos anos. Segundo o portal Terra, o índice, que era de 3% em 2021, despencou para apenas 0,8% em 2023.
Essa invisibilidade tem relação direta com a falta de oportunidades pagas. Mais da metade dos creators entrevistados (52,7%) afirmam nunca terem participado de campanhas publicitárias remuneradas. E mesmo entre os que são contratados, as ações são pontuais (71,4%), dificultando a criação de parcerias mais consistentes e de longo prazo.
Outro ponto apontado pela pesquisa é a falta de diversidade temática nas campanhas que envolvem creators com deficiência. Para 65,7% dos respondentes, o foco das marcas ainda está restrito a pautas de acessibilidade, enquanto outros segmentos, como moda (20%), saúde e bem-estar (21,4%) e educação (17,1%), ainda são pouco explorados.
“Dados inéditos da segunda edição da pesquisa revelam um abismo entre o discurso de diversidade, em especial no caso de creators com deficiência, e a prática do mercado publicitário”, ressalta Vitor Bastos, da Tambor.biz.
Crescimento na renda vinda da internet
Apesar dos desafios, o cenário apresenta sinais de mudança. A pesquisa mostra que o número de creators com deficiência que obtêm 100% da sua renda pela internet quadruplicou entre 2022 e 2025, passando de 2% para 8,8%.
O perfil predominante desses criadores é de pessoas atuantes no Instagram, com idades entre 25 e 34 anos (51%) e alto nível de escolaridade, 64% possuem ensino superior completo ou pós-graduação.
A pesquisa contou com o apoio institucional das organizações Talento Incluir, HandTalk, Sondery, Angel Talentos Diversos e Camila Machion.
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